Metodologia
Cada número desta ferramenta vem de uma fórmula pública e verificável. Abaixo estão as fórmulas, as premissas que adotamos e — principalmente — onde cada modelo deixa de valer.
Como o veredito “está boa para comprar?” é decidido
Score e margem de segurança são medidas, não decisões. O veredito transforma essas medidas em conclusão aplicando três estágios, nesta ordem — e a ordem é a parte que importa.
- 1. Impedimentos. Condições factuais de solvência e liquidez que desqualificam a compra por si só: prejuízo nos últimos 12 meses, patrimônio líquido negativo, liquidez abaixo do piso da classe, dívida líquida acima de 3× o patrimônio. Em FIIs: P/VP abaixo de 0,60, distribuição acima do que o FFO sustenta e vacância acima de 25%. Impedimento vence score alto: um ativo nessas condições não está barato, está sendo precificado como aposta em recuperação.
- 2. Confiança. Proporção de metodologias que puderam ser efetivamente avaliadas. Abaixo de metade, o veredito nunca é de compra — afirmar oportunidade sobre dado escasso é pior que não afirmar nada. Sem nenhum preço justo calculado a confiança fica em “média”, porque não há juízo de preço, apenas de qualidade.
- 3. Faixa. Só então score e margem classificam: ótima oportunidade exige score ≥ 75, margem ≥ 25% e confiança alta; boa para comprar exige score ≥ 65 e margem ≥ 10%; score abaixo de 40 resulta em evitar por mérito, mesmo com desconto grande.
Todos esses limites são premissas ajustáveis — estão listadas em “Premissas em vigor” abaixo. O veredito é a leitura mecânica de indicadores de um retrato de 12 meses: não avalia governança, contratos, posição competitiva nem o encaixe na sua carteira, e não é recomendação de investimento.
Como o score geral é montado
Cada metodologia produz uma nota de 0 a 100, combinando dois componentes: o percentual de critérios aprovados (peso 60%) e a margem de segurança sobre o preço justo, quando existe (peso 40%).
O peso maior nos critérios é deliberado: preço descontado sem qualidade é armadilha de valor. O score geral é a média ponderada das metodologias avaliáveis — indicadores ausentes na fonte são excluídos do cálculo em vez de contarem como reprovação.
A margem de segurança satura em +100%: sem esse teto, um único ativo com lucro distorcido por evento não recorrente dominaria o ranking inteiro.
Benjamin Graham
O Investidor Inteligente (1949)
Preço justo = √(22,5 × LPA × VPA)
O fator 22,5 é o produto dos tetos que Graham exigia: P/L de 15 e P/VP de 1,5. Comprar abaixo do número resultante embute a margem de segurança.
Limite do modelo: Só faz sentido com lucro e patrimônio positivos. Foi pensada para empresas industriais estáveis — distorce em bancos, seguradoras e empresas de crescimento acelerado.
Décio Bazin
Faça Fortuna com Ações (1991)
Preço teto = dividendo por ação ÷ yield mínimo exigido
Ações usam 6% e FIIs 8% como piso de rendimento. Acima desse preço, o retorno em proventos deixa de compensar o risco.
Limite do modelo: Bazin exigia dividendos consistentes por 5 anos. Só temos os últimos 12 meses, então um provento extraordinário único infla o preço teto. Confira o histórico de proventos antes de decidir.
Joel Greenblatt
A Fórmula Mágica (2005)
Ranking combinado de EBIT/EV + ROIC
Ordena todas as empresas por retorno sobre o preço e por retorno sobre o capital, e soma as duas posições. A menor soma reúne o melhor par preço/qualidade do mercado.
Limite do modelo: Greenblatt exclui financeiras e utilities, cujo balanço distorce EV e ROIC — a fonte não traz setor, então esse filtro fica com você. Foi concebida como carteira de 20 a 30 ações mantida por um ano, não como aposta isolada.
Peter Lynch
O Jeito Peter Lynch de Investir (1989)
PEG = P/L ÷ crescimento anual (%)
Lynch considerava justo o P/L igual à taxa de crescimento. PEG abaixo de 1 sugere que o preço não acompanhou a expansão do negócio.
Limite do modelo: Usamos crescimento de RECEITA de 5 anos como proxy do crescimento de LUCROS, que é o dado original e não está disponível. Empresas que crescem faturamento sem converter em lucro parecem melhores do que são.
Warren Buffett
Cartas aos acionistas da Berkshire
ROE ≥ 15%, ROIC ≥ 10%, margens altas e dívida baixa
Prioriza a qualidade do negócio antes do preço: retorno sobre capital alto e sustentável, com múltiplo razoável (EV/EBIT ≤ 12).
Limite do modelo: Vantagem competitiva duradoura e qualidade da gestão são qualitativas e nenhum indicador as captura. Este é o filtro mais incompleto do conjunto.
Joseph Piotroski
Value Investing: The Use of Historical Financial Statement Information (2000)
F-Score de solidez contábil
Verifica rentabilidade, alavancagem, liquidez e expansão para separar empresas baratas e sólidas de empresas baratas e deterioradas.
Limite do modelo: O F-Score original tem 9 sinais e compara cada indicador com o ANO ANTERIOR. A fonte fornece apenas o retrato atual, então avaliamos 6 sinais em nível, não em variação. Não é o F-Score acadêmico.
Premissas em vigor
Todas são ajustáveis por variável de ambiente (prefixo VALUATION_).
A premissa que mais envelhece é TAXA_LIVRE_RISCO: ajuste-a conforme a Selic vigente, pois ela define o piso de comparação de todos os rendimentos.
Fontes e frescor dos dados
- Fundamentos — Fundamentus, atualizado a cada 15 minutos em cache. Os indicadores refletem o último balanço processado, cuja data aparece na página do ativo.
- Cotações e histórico — Yahoo Finance. Preços da B3 chegam com atraso típico de 15 minutos; a idade real do dado é sempre exibida ao lado do preço, e não arredondada para "agora".
- Ativos ilíquidos — papéis abaixo de R$ 1.000.000 por dia (ações) ou R$ 200.000 (FIIs) ficam fora do ranking da Fórmula Mágica: múltiplos ótimos em papel que ninguém negocia não são executáveis na prática.